Gigi,
neste momento, você dorme gostoso no seu quartinho, depois de um dia cheio de brincadeiras e visita à casa da vovó com papai e mamãe reunidos. Sei que faz bastante tempo que não escrevo pra você, mas é que - como algumas mães já tinham me dito - o tempo voa e projetos fofos, como esse que é escrever pra você ler quando estiver mais velha, acabam ficando pra trás diante do desenvolvimento diário e das transformações que cada fase traz.
Você, por exemplo, me surpreendeu na segunda-feira da semana passada (aliás, não só a mim, mas ao seu papai também) com um "mamãe" completinho. Na hora, meus olhos se encheram de lágrimas e senti uma felicidade tão gostosa que não consigo colocar em palavras. Claro que eu contei pra todo mundo, com aquele orgulho nada secreto que todas as mães têm.
Tudo bem, o "mamãe" não veio de novo, mas sei que os "mamãs" que você fala são pra mim, o que me enche igualmente de orgulho. Com você, meu amorzinho, percebo o quanto as mães são primordiais na nossa vida. Não que não soubesse disso, mas é que vivendo junto com você tudo aquilo que minha mãe provavelmente viveu comigo, acabo por me dar conta de que nós somos mesmo muito importantes, seja na educação, nos hábitos, na garantia de crescimento saudável, enfim, em tudo.
Já li vários textos que dizem que o filho, nesta idade, enxerga o mundo pelos olhos da mãe. Concordo. E sei que, em determinado momento, você vai ver tudo por si própria. Com certeza, irei me surpreender quando isso acontecer, assim como me surpreendo quando você mostra que aprendeu um movimento novo, que já está prestes a andar sem se apoiar nos móveis... Pra mim, que atualmente vivo em segundo plano (no bom sentido, meu anjinho), é estranho me dar conta de que, há dez meses, você precisava de mim pra exatamente tudo. E, agora, está mais independente, mais próxima de uma criança do que de um bebê recém-nascido enroladinho no cobertor.
Hoje levei você pela primeira vez para cortar o cabelo num salão de beleza. Como eu já te disse, você nasceu bem cabeluda, e essa, definitivamente, é sua marca registrada. Claro que, nos primeiros três minutos, você ficou bem quietinha pra a cabeleireira agir. Mas depois... Bem, o que importa é que deu certo e você ficou linda!
Pra mim, você sempre será a mais linda, viu?
ps: Você acordou e chora no quarto, então, depois te escrevo mais.
Amo você,
Mamãe
sábado, 28 de abril de 2012
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
O melhor Natal
Gigi...
Quando todo mundo me dizia que os bebês ficam uma graça aos seis meses, não imaginava que seria tão irresistível assim. Sabe, né, você, menininha, tem várias roupinhas fofas pra eu te emperequetar. E tem ganhado cada coisa linda que é quase impossível não dar um suspiro depois que eu te arrumo. (tá, tá, parei de babar!!!).
Agora queria registrar algo muito legal: este Natal foi o mais completo e lindo da minha vida. Passamos em família, em paz, com saúde, com muito amor. Natal, filha, pode ser confundido com uma data para dar presentes (e sei que você vai ansiar bastante pela data daqui pra frente), mas tem que ser encarado como um presente de Deus, um marco para reflexão, para tentarmos nos tornar melhores, para esperar por coisas melhores.
O nosso foi muito bom. São tantas transformações em mim nesses últimos meses que me sinto no direito de dizer que hoje, após seu nascimento, sou uma pessoa melhor. Mais paciente e menos impulsiva. Mais esperançosa, menos rancorosa, mais a fim de superar obstáculos com os olhos fixos em objetivos do bem, felizes. Mais certa de que a vida é constantemente movimentada por mudanças e que, muitas delas, independem de nossa vontade. Não quer dizer, de jeito nenhum, que ainda não tenha um montão de pontos pra melhorar, mas me sinto mais serena e melhor com a sua chegada.
Obrigada por isso, pequena. E que Deus nos abençoe para que todo Natal seja tão alegre, completo e em paz como foi este.
Beijo da mamãe na bochecha fofinha,
Mamãe
Quando todo mundo me dizia que os bebês ficam uma graça aos seis meses, não imaginava que seria tão irresistível assim. Sabe, né, você, menininha, tem várias roupinhas fofas pra eu te emperequetar. E tem ganhado cada coisa linda que é quase impossível não dar um suspiro depois que eu te arrumo. (tá, tá, parei de babar!!!).
Agora queria registrar algo muito legal: este Natal foi o mais completo e lindo da minha vida. Passamos em família, em paz, com saúde, com muito amor. Natal, filha, pode ser confundido com uma data para dar presentes (e sei que você vai ansiar bastante pela data daqui pra frente), mas tem que ser encarado como um presente de Deus, um marco para reflexão, para tentarmos nos tornar melhores, para esperar por coisas melhores.
O nosso foi muito bom. São tantas transformações em mim nesses últimos meses que me sinto no direito de dizer que hoje, após seu nascimento, sou uma pessoa melhor. Mais paciente e menos impulsiva. Mais esperançosa, menos rancorosa, mais a fim de superar obstáculos com os olhos fixos em objetivos do bem, felizes. Mais certa de que a vida é constantemente movimentada por mudanças e que, muitas delas, independem de nossa vontade. Não quer dizer, de jeito nenhum, que ainda não tenha um montão de pontos pra melhorar, mas me sinto mais serena e melhor com a sua chegada.
Obrigada por isso, pequena. E que Deus nos abençoe para que todo Natal seja tão alegre, completo e em paz como foi este.
Beijo da mamãe na bochecha fofinha,
Mamãe
Como foi voltar ao trabalho
Filha querida,
enquanto você tira seu cochilo, aproveito para sentar e escrever algumas palavras. Faz tempo que não te deixo um registro, mas isso não quer dizer que mamãe se esqueceu ou nada de notável aconteceu.
Primeiro, mamãe voltou a trabalhar. Foi duro, principalmente no primeiro dia, quando deixei você com a vó Ana. É uma coisa estranha, mas mesmo sabendo que dali seis horas estaríamos juntas novamente, minha vontade era de não ir trabalhar e ficar com você. Quase um vício, mas um vício muito bom.
Ok, enxuguei as lágrimas dentro do carro mesmo e reiniciei a rotina de antes de você nascer: bater o ponto às 14h, ir até meu computador, ler os notes, tentar colocar em dia o que aconteceu durante os cinco meses anteriores. Claro que no começo fiquei perdida, mas mamãe trabalha entre amigas de verdade que a ajudaram a estar de volta plenamente. E devo confessar: meu pensamento se manteve com você durante boa parte dos primeiros dias de retorno.
Uma coisa muito boa foi poder amamentá-la até o sexto mês. E aí entrou a ajuda da sua superavó Lucia, que, gosto de repetir, mostra que é mãe até mesmo quando eu me tornei mãe. Todos os dias, religiosamente, ela saía do trabalho para pegar você na vó Ana, levar até a editora, esperar eu dar de mamar e trazer você pra casa. E fez tudo com sorriso nos lábios, sabendo que estava contribuindo para sua saúde e nossa felicidade.
Depois que você completou seis meses, fiquei bem apreensiva sobre como seria. Os primeiros dias foram um pouco dolorosos porque o peito enchia demais e estávamos pulando uma mamada. Você, espertinha, pegou mamadeira numa boa (sim, fiquei com ciúme, mas coisa rápida, passou e sei que você precisa disso). Agora essa parte parece estar entrando nos eixos também.
Filha, tenho aprendido que tudo é adaptação quando a gente se torna mãe. Cuidar de você é a melhor parte do meu dia e fico ansiosa pra voltar pra casa do trabalho. Parece que você sente isso e adora quando me vê.
Ultimamente, eu, suas avós, seus avôs, suas tias e o papai temos percebido que você está prestes a sentar sozinha. Já sabe que eu sou "mamãe" e que "papai" é aquele cara barbudo que adora morder sua barriga. Acho que só falta mesmo soltar as palavrinhas pra nos chamar, mas já sabe quando alguém nos chama assim.
Nossos amigos são muito carinhosos com você e todos a acham uma fofurinha. Em todo lugar aonde vamos, perguntam onde cortamos seu cabelo (e foi mamãe quem fez, sem querer, um corte muito fashion).
Meu amor, amo você com todo meu coração,
Mamãe
enquanto você tira seu cochilo, aproveito para sentar e escrever algumas palavras. Faz tempo que não te deixo um registro, mas isso não quer dizer que mamãe se esqueceu ou nada de notável aconteceu.
Primeiro, mamãe voltou a trabalhar. Foi duro, principalmente no primeiro dia, quando deixei você com a vó Ana. É uma coisa estranha, mas mesmo sabendo que dali seis horas estaríamos juntas novamente, minha vontade era de não ir trabalhar e ficar com você. Quase um vício, mas um vício muito bom.
Ok, enxuguei as lágrimas dentro do carro mesmo e reiniciei a rotina de antes de você nascer: bater o ponto às 14h, ir até meu computador, ler os notes, tentar colocar em dia o que aconteceu durante os cinco meses anteriores. Claro que no começo fiquei perdida, mas mamãe trabalha entre amigas de verdade que a ajudaram a estar de volta plenamente. E devo confessar: meu pensamento se manteve com você durante boa parte dos primeiros dias de retorno.
Uma coisa muito boa foi poder amamentá-la até o sexto mês. E aí entrou a ajuda da sua superavó Lucia, que, gosto de repetir, mostra que é mãe até mesmo quando eu me tornei mãe. Todos os dias, religiosamente, ela saía do trabalho para pegar você na vó Ana, levar até a editora, esperar eu dar de mamar e trazer você pra casa. E fez tudo com sorriso nos lábios, sabendo que estava contribuindo para sua saúde e nossa felicidade.
Depois que você completou seis meses, fiquei bem apreensiva sobre como seria. Os primeiros dias foram um pouco dolorosos porque o peito enchia demais e estávamos pulando uma mamada. Você, espertinha, pegou mamadeira numa boa (sim, fiquei com ciúme, mas coisa rápida, passou e sei que você precisa disso). Agora essa parte parece estar entrando nos eixos também.
Filha, tenho aprendido que tudo é adaptação quando a gente se torna mãe. Cuidar de você é a melhor parte do meu dia e fico ansiosa pra voltar pra casa do trabalho. Parece que você sente isso e adora quando me vê.
Ultimamente, eu, suas avós, seus avôs, suas tias e o papai temos percebido que você está prestes a sentar sozinha. Já sabe que eu sou "mamãe" e que "papai" é aquele cara barbudo que adora morder sua barriga. Acho que só falta mesmo soltar as palavrinhas pra nos chamar, mas já sabe quando alguém nos chama assim.
Nossos amigos são muito carinhosos com você e todos a acham uma fofurinha. Em todo lugar aonde vamos, perguntam onde cortamos seu cabelo (e foi mamãe quem fez, sem querer, um corte muito fashion).
Meu amor, amo você com todo meu coração,
Mamãe
domingo, 20 de novembro de 2011
Mamãe voltou a trabalhar!
Minha lindona! Já se completou uma semana desde que mamãe voltou a trabalhar. Sim, era preciso, mas, com certeza, se pudesse, não voltaria. Ficaria o tempo todinho com você pra não perder nenhuma gracinha, nenhum sonzinho, nada nada nada que eu tanto amo. Mas tudo bem: como as pessoas dizem, a vida deve continuar e trabalhar faz parte da minha.
A boa notícia é que você tem ido ao trabalho da mamãe todos os dias para sua mamada da tarde. É uma delícia: meus colegas de trabalho ficam bobos com você, eu te vejo e mato a saudade, você fica alimentada... Maravilha! Pena que é só até você completar seis meses (mas já é alguma coisa, então, não vou ficar aqui reclamando).
O primeiro dia de trabalho da mamãe foi um misto de ansiedade pra rever o pessoal e muito choro: deixei você em lágrimas, numa cena de novela mexicana que eu já sabia que não conseguiria evitar. Você, toda bebê, nem percebeu nada (ainda bem, né?).
Novidades: sob nossos olhos atentos de pai e mãe corujas, você aprendeu a se virar (literalmente) sozinha, o primeiro passo pra começar a engatinhar. Será isso um sinal de que terá personalidade independente? Bem, eu tenho o hábito de achar que cada coisinha que você faz é sinal de alguma coisa...
Outra: você tem se comunicado cada vez mais na sua linguagem de bebê. Está mais expressiva, gritenta (dá cada grito alto) e linda, muuuito linda. E também adora arrancar os cabelos da mamãe (confesso: se fosse um bebê qualquer, mamãe não deixava, mas você eu deixo, vai!).
Filha, mãe é assim mesmo, não estranhe, não: vive em estado de graça, acha tudo uma delícia, se importa com coisas que outras pessoas simplesmente não veem (ou não prestam atenção).
Sigo plenamente em estado de graça e continuo a te dizer: amo muito você!
Beijos da mamãe
A boa notícia é que você tem ido ao trabalho da mamãe todos os dias para sua mamada da tarde. É uma delícia: meus colegas de trabalho ficam bobos com você, eu te vejo e mato a saudade, você fica alimentada... Maravilha! Pena que é só até você completar seis meses (mas já é alguma coisa, então, não vou ficar aqui reclamando).
O primeiro dia de trabalho da mamãe foi um misto de ansiedade pra rever o pessoal e muito choro: deixei você em lágrimas, numa cena de novela mexicana que eu já sabia que não conseguiria evitar. Você, toda bebê, nem percebeu nada (ainda bem, né?).
Novidades: sob nossos olhos atentos de pai e mãe corujas, você aprendeu a se virar (literalmente) sozinha, o primeiro passo pra começar a engatinhar. Será isso um sinal de que terá personalidade independente? Bem, eu tenho o hábito de achar que cada coisinha que você faz é sinal de alguma coisa...
Outra: você tem se comunicado cada vez mais na sua linguagem de bebê. Está mais expressiva, gritenta (dá cada grito alto) e linda, muuuito linda. E também adora arrancar os cabelos da mamãe (confesso: se fosse um bebê qualquer, mamãe não deixava, mas você eu deixo, vai!).
Filha, mãe é assim mesmo, não estranhe, não: vive em estado de graça, acha tudo uma delícia, se importa com coisas que outras pessoas simplesmente não veem (ou não prestam atenção).
Sigo plenamente em estado de graça e continuo a te dizer: amo muito você!
Beijos da mamãe
domingo, 30 de outubro de 2011
150 dias de transformação e muito amor
Querida Giovana,
faltam só 10 dias para eu voltar a trabalhar. Filha, nós ficamos 140 dias juntinhas até agora. Nos primeiros 30 dias, mamãe não sabia ao certo se ia dar conta de você. É verdade, por mais que pareça estranho falar assim, estou dizendo exatamente o que sentia: medo de não saber, não conseguir ou não ser forte o suficiente para cuidar de você. Depois do parto, a adaptação é mútua: você, pequenina, acostumada a não sentir fome, nem frio, nem sede, de repente precisava chorar para mostrar (ou tentar) o que sentia. Eu, por outro lado, com as primeiras dores da amamentação e sarando, aos poucos, das dores da recuperação do parto. Mamãe, apesar de ter toda a consciência do que viria pela frente, só foi entender o quão difícil é esse momento de adaptação depois de enfrentar privação de sono (nas primeiras semanas, filhota, era rotina você dormir durante o dia e, à noite, acordar às 3h e voltar a dormir às 5h, 6h, 7h...), muito choro (seu e meu), o pavor de não saber o que fazer com suas cólicas, entre outros momentos tão atribulados para uma mamãe de primeira viagem.
Esse tempo passou, como todos com mais experiência me diziam que iria passar. Fui aprendendo a cuidar de você com mais tranquilidade, e, olhe só, aos poucos, voltei a cuidar de mim também. (As primeiras semanas, meu amor, são exclusivamente do neném e, por conta disso, não foi uma ou duas vezes que mamãe ia almoçar só às 14h ou 15h, ou não penteava o cabelo o dia todo, o que dizer então de fazer as unhas...).
Seu pai foi essencial para todo esse começo. Carinhoso e apoiador, sempre preocupado conosco, nos ajudou muito (e continua ajudando, ainda bem!). Suas avós, Lucia e Ana, também foram especialmente necessárias cuidando não só de você como também de mim. Serei eternamente grata a elas por isso.
Bem, o tempo passou muito rápido. Você engordou a olhos vistos, continua com os cabelos mais lindos do universo dos bebês, agora sorri, balbucia sílabas e sonzinhos fofinhos, chama atenção por toda parte que vai. Quando me enxerga, estampa no rostinho que quer meu colo e que está feliz em me ver.
Se algo a incomoda e estou por perto, parece tentar me dizer com o olhar o que está sentindo. Você já tem noção dos horários e da sua rotina do dia e uma das horas mais esperadas é quando seu papai chega do trabalho para brincar com você. As cenas que eu vejo todos os dias são as mais bonitas que já vi na minha vida.
Mamãe tem chorado bastante quando pensa que daqui 10 dias terá que voltar a trabalhar. O choro vem fácil porque você tomou conta da minha existência de uma maneira tão linda, tão pura e tão forte que por mais que pareça bobagem, ficar longe por algumas horas se tornou muito difícil de suportar. Saudade do seu rostinho, de amamentar, de abraçar e brincar, cuidar, enfim, de passar tardes gostosas do seu lado. Realmente, sob meu ponto de vista, me tornar mãe é a maior dádiva que Deus poderia ter colocado em minha vida. Me fez crescer, ser mais humana, mais flexível, menos mesquinha, mais esperançosa.
É, minha pequena, vai ser muito difícil pra mim. Mas é necessário. Será uma nova etapa de adaptação, tanto para mim quanto para você. Preciso disso para crescer ainda mais. Para manter em mim uma parte muito importante e que ainda não está pronta para se despedir. Então, meu amor, que Deus nos abençoe nessa nova fase que virá e coloque em nossas vidas ainda mais bençãos nos dias que estão por vir.
Amo você, com todo meu coração e minha alma,
Mamãe
faltam só 10 dias para eu voltar a trabalhar. Filha, nós ficamos 140 dias juntinhas até agora. Nos primeiros 30 dias, mamãe não sabia ao certo se ia dar conta de você. É verdade, por mais que pareça estranho falar assim, estou dizendo exatamente o que sentia: medo de não saber, não conseguir ou não ser forte o suficiente para cuidar de você. Depois do parto, a adaptação é mútua: você, pequenina, acostumada a não sentir fome, nem frio, nem sede, de repente precisava chorar para mostrar (ou tentar) o que sentia. Eu, por outro lado, com as primeiras dores da amamentação e sarando, aos poucos, das dores da recuperação do parto. Mamãe, apesar de ter toda a consciência do que viria pela frente, só foi entender o quão difícil é esse momento de adaptação depois de enfrentar privação de sono (nas primeiras semanas, filhota, era rotina você dormir durante o dia e, à noite, acordar às 3h e voltar a dormir às 5h, 6h, 7h...), muito choro (seu e meu), o pavor de não saber o que fazer com suas cólicas, entre outros momentos tão atribulados para uma mamãe de primeira viagem.
Esse tempo passou, como todos com mais experiência me diziam que iria passar. Fui aprendendo a cuidar de você com mais tranquilidade, e, olhe só, aos poucos, voltei a cuidar de mim também. (As primeiras semanas, meu amor, são exclusivamente do neném e, por conta disso, não foi uma ou duas vezes que mamãe ia almoçar só às 14h ou 15h, ou não penteava o cabelo o dia todo, o que dizer então de fazer as unhas...).
Seu pai foi essencial para todo esse começo. Carinhoso e apoiador, sempre preocupado conosco, nos ajudou muito (e continua ajudando, ainda bem!). Suas avós, Lucia e Ana, também foram especialmente necessárias cuidando não só de você como também de mim. Serei eternamente grata a elas por isso.
Bem, o tempo passou muito rápido. Você engordou a olhos vistos, continua com os cabelos mais lindos do universo dos bebês, agora sorri, balbucia sílabas e sonzinhos fofinhos, chama atenção por toda parte que vai. Quando me enxerga, estampa no rostinho que quer meu colo e que está feliz em me ver.
Se algo a incomoda e estou por perto, parece tentar me dizer com o olhar o que está sentindo. Você já tem noção dos horários e da sua rotina do dia e uma das horas mais esperadas é quando seu papai chega do trabalho para brincar com você. As cenas que eu vejo todos os dias são as mais bonitas que já vi na minha vida.
Mamãe tem chorado bastante quando pensa que daqui 10 dias terá que voltar a trabalhar. O choro vem fácil porque você tomou conta da minha existência de uma maneira tão linda, tão pura e tão forte que por mais que pareça bobagem, ficar longe por algumas horas se tornou muito difícil de suportar. Saudade do seu rostinho, de amamentar, de abraçar e brincar, cuidar, enfim, de passar tardes gostosas do seu lado. Realmente, sob meu ponto de vista, me tornar mãe é a maior dádiva que Deus poderia ter colocado em minha vida. Me fez crescer, ser mais humana, mais flexível, menos mesquinha, mais esperançosa.
É, minha pequena, vai ser muito difícil pra mim. Mas é necessário. Será uma nova etapa de adaptação, tanto para mim quanto para você. Preciso disso para crescer ainda mais. Para manter em mim uma parte muito importante e que ainda não está pronta para se despedir. Então, meu amor, que Deus nos abençoe nessa nova fase que virá e coloque em nossas vidas ainda mais bençãos nos dias que estão por vir.
Amo você, com todo meu coração e minha alma,
Mamãe
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Você foi muito boazinha!
Sabia que, quando me descobri grávida, eu estava fazendo o curso de Mestrado? Pois é, lembro bem da aula inaugural da pós, quando o coordenador, do alto de seu rigor acadêmico, avisou: "Precisamos respeitar o prazo máximo de defesa em dois anos e meio. Portanto, nada de ficar doente. Engravidar, então, nem pensar".
Ok, como a vida não segue os ditames da Academia... A notícia da gravidez veio com surpresa e muita expectativa para mim. E aí, a primeira coisa que eu pensei foi: "não vou conseguir terminar esse Mestrado". Porque, pra início de conversa, não tinha escrito nem uma linha da dissertação e tinha, então, mais meio ano pra fazer tudo, além de preparar tudo (e de me preparar) para sua chegada.
Bem, a barriga foi crescendo, mamãe montou seu quartinho, seu enxoval, continuou trabalhando e, quem diria, escrevendo! Durante toda a fase de redigir a dissertação você esteve lá, presente, constantemente dando sinais de que crescia (e ocupava todos os espacinhos no interior do meu ventre).
Daí, mamãe defendeu a qualificação exatamente uma semana antes de você nascer, exibindo uma barriga redondona diante dos olhos um tanto temerosos da banca exclusivamente masculina.
E, para meu alívio (e liberdade!!!), faz três dias que consegui defender a dissertação (com você lá, inclusive, docemente levada pelas avós paterna e materna). Foi um momento muito importante para mim e ainda mais feliz pelo fato de você estar lá comigo, querida.
Então, muito obrigada, minha menininha, por ter nascido no tempo certo e ter me deixado continuar uma trajetória que necessitava ser finalizada.
Te conto tudo isso aqui porque não quero me esquecer do quanto foi difícil, mas recompensante encarar tudo de uma vez. E a memória é bichinho traiçoeiro: costuma falhar nos detalhes e deixar tudo com cara de mesmice (e pra gente, meu benzinho, não foi mesmo, não é?!).
Te amo,
Mamãe
Ok, como a vida não segue os ditames da Academia... A notícia da gravidez veio com surpresa e muita expectativa para mim. E aí, a primeira coisa que eu pensei foi: "não vou conseguir terminar esse Mestrado". Porque, pra início de conversa, não tinha escrito nem uma linha da dissertação e tinha, então, mais meio ano pra fazer tudo, além de preparar tudo (e de me preparar) para sua chegada.
Bem, a barriga foi crescendo, mamãe montou seu quartinho, seu enxoval, continuou trabalhando e, quem diria, escrevendo! Durante toda a fase de redigir a dissertação você esteve lá, presente, constantemente dando sinais de que crescia (e ocupava todos os espacinhos no interior do meu ventre).
Daí, mamãe defendeu a qualificação exatamente uma semana antes de você nascer, exibindo uma barriga redondona diante dos olhos um tanto temerosos da banca exclusivamente masculina.
E, para meu alívio (e liberdade!!!), faz três dias que consegui defender a dissertação (com você lá, inclusive, docemente levada pelas avós paterna e materna). Foi um momento muito importante para mim e ainda mais feliz pelo fato de você estar lá comigo, querida.
Então, muito obrigada, minha menininha, por ter nascido no tempo certo e ter me deixado continuar uma trajetória que necessitava ser finalizada.
Te conto tudo isso aqui porque não quero me esquecer do quanto foi difícil, mas recompensante encarar tudo de uma vez. E a memória é bichinho traiçoeiro: costuma falhar nos detalhes e deixar tudo com cara de mesmice (e pra gente, meu benzinho, não foi mesmo, não é?!).
Te amo,
Mamãe
| Na defesa da dissertação de mestrado: prof. Adenil, prof. Mauro, vovó Ana, eu e você, vovó Lucia e prof. José Eugenio |
Por mais noites de sono e menos complicações
Filha, viver é uma experiência fácil, linda, única e inigualável. Vejo isso nos seus olhinhos que descobrem, brilhantes, o mundo ao seu redor. Para um bebê, as preocupações só acontecem se algo os incomoda - é fome que sentem? Logo mamãe vem alimentar. É frio, dor ou fralda suja? Logo alguém que lhe quer bem vem agir em seu favor.
Talvez seja por não pensar nos problemas inventados pelo crescimento e "amadurecimento", pelos limites,deveres e regras impostos pela vida em sociedade, ou pelo fato de estarem alheios às necessidades e urgências mundanas, os bebezinhos têm um sono tão tranquilo e invejável. Coisa de anjo mesmo.
Depois que se cresce, Gigi, é preciso lidar com os dilemas que nos aparecem. Eles começam tímidos, quase que inofensivos na ocasião de aprender a fazer escolhas. Depois, vão se tornando mais complexos, capazes de acabar com as noites de sono feliz de outrora. À medida que se cresce, meu amor, a vida parece se complicar. É um relacionamento que não dá certo, outro que mostra sua cara cheia de riso mas, não se engane, uma hora também ficará evidente que há tristeza e dureza até mesmo onde não se imaginava haver qualquer tipo de mácula.
Tudo isso, dizem os grandes (e também o senso comum) é fermento que nos faz crescer. A dor, muitas vezes evitável, mas também inevitável em certas ocasiões, é como um contraponto em nossa história de vida: ensina, como que avisando para que, no futuro, não sejam repetidos os mesmos erros e não se sofra novamente como num filme repetido de sessão da tarde.
Bebê, bebê... Ao contrário do que possa parecer, viver é, sim, fácil. Basta lembrar, diante de uma dificuldade que nos aparece como um touro teimoso e bufante, que orgulho não leva a lugar algum. Que o tempo passa rápido, que a vida é curta e também passa num sopro. É o que dizem os grandes (e o senso comum) e que não deixa de ser uma bela verdade.
Amo você, com todo meu coração,
Mamãe.
Talvez seja por não pensar nos problemas inventados pelo crescimento e "amadurecimento", pelos limites,deveres e regras impostos pela vida em sociedade, ou pelo fato de estarem alheios às necessidades e urgências mundanas, os bebezinhos têm um sono tão tranquilo e invejável. Coisa de anjo mesmo.
Depois que se cresce, Gigi, é preciso lidar com os dilemas que nos aparecem. Eles começam tímidos, quase que inofensivos na ocasião de aprender a fazer escolhas. Depois, vão se tornando mais complexos, capazes de acabar com as noites de sono feliz de outrora. À medida que se cresce, meu amor, a vida parece se complicar. É um relacionamento que não dá certo, outro que mostra sua cara cheia de riso mas, não se engane, uma hora também ficará evidente que há tristeza e dureza até mesmo onde não se imaginava haver qualquer tipo de mácula.
Tudo isso, dizem os grandes (e também o senso comum) é fermento que nos faz crescer. A dor, muitas vezes evitável, mas também inevitável em certas ocasiões, é como um contraponto em nossa história de vida: ensina, como que avisando para que, no futuro, não sejam repetidos os mesmos erros e não se sofra novamente como num filme repetido de sessão da tarde.
Bebê, bebê... Ao contrário do que possa parecer, viver é, sim, fácil. Basta lembrar, diante de uma dificuldade que nos aparece como um touro teimoso e bufante, que orgulho não leva a lugar algum. Que o tempo passa rápido, que a vida é curta e também passa num sopro. É o que dizem os grandes (e o senso comum) e que não deixa de ser uma bela verdade.
Amo você, com todo meu coração,
Mamãe.
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