sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre os dias em que estive fora...

Meu amorzinho...
enquanto escrevo esta carta, estou longe de você há 10 dias. Foi o maior tempo, desde o momento em que você nasceu, em que estivemos separadas. Algo que pra mim significou arrancar forças que eu duvidava que tivesse. Algo que pra mim significou tristeza, dor, saudade, culpa, desespero, coração partido.
Tudo porque, pra quem é mãe, é muito mais difícil fazer coisas necessárias, simples, mas verdadeiramente terríveis quando se precisa ficar longe de um filho. Vim, fiz o que tinha para fazer em Brasília, mas meu coração e meu pensamento estiveram o tempo inteiro com você. Cada foto sua, recebida de seu pai, sua avó ou até mesmo da sua professora me faziam ao mesmo tempo ficar tranquila, sentir um aperto no peito terrível por estar longe de você. Pedi desculpas em pensamento muitas e muitas vezes por não estar do seu lado nestes últimos 10 dias. Por não poder cuidar, cozinhar, brincar, dormir, fazer dormir, rir, ensinar, levar à escola, arrumar, dar banho, fazer penteados... E tudo isso me fez falta. Cada pequena coisa da nossa rotina me é muito caro. Me fez uma enorme falta, tão grande que mal posso explicar. Tão grande que é difícil compreender.
Minha criança, tudo em você me faz falta. Seu risinho, seu cheirinho, seu jeitinho. Saiba que, pra mim, estar longe de você foi uma das coisas mais difíceis que já vivi na minha vida.
Mas quero que saiba que este momento também é importante pra mim. Há alguns meses fiz uma opção de mudança de planos na minha carreira e isso implica esse tipo de desafio. E, sem apelos a clichê algum, o que faço hoje é para mim, sim, mas também para você, já que tudo o que os pais fazem acaba mesmo ficando para os filhos.

Meu amor, meu bebê, minha menina...
Logo, logo mamãe estará de volta. Aí poderemos brincar de Frozen, de pintar com os dedos, de esconde-esconde com o papai, de ir à quadra jogar futebol. Poderemos assistir a Peppa e ao Show da Luna. Estou com saudades até do Discovery Kids!
Sei que pra você houve saudade também, mas sei que esteve bem durante todo esse tempo, sendo carinhosamente cuidada pela minha mãe e pelo meu pai, a quem sou eternamente grata por tudo e por tanto, pela sua maravilhosa e inigualável maneira de me ajudar sempre. De me ensinar, até mesmo quando estão ensinando você, minha filhota.
Agradeço imensamente a seu pai, que em tudo me apoia, um ser humano incrível que tenho a sorte de ser meu companheiro. A todos da família (especialmente vovó Ana e vovô Valdir, tia Cris e tia Dri) que cuidaram pra que você tivesse seu tempo preenchido por brincadeiras, passeios, diversão. E à sua professora Dani, tão sensível e iluminada, que até mesmo fez um calendário para você ir marcando os dias que faltavam pra mamãe chegar e que também me tranquilizava todas as noites falando sobre como tinha sido o seu dia. Obrigada, de coração, a todos!

Aqui fica o registro desse momento, filha. Certamente não serão muitos, mas eu gostaria que você soubesse que, mesmo distante, você é sempre parte do meu dia, do meu pensamento, de minhas decisões,

te amo demais,


mamãe

quarta-feira, 18 de junho de 2014



Filha, sábado você completa três anos. Sei que já faz um bom tempo que não volto ao blog pra escrever, mas é que sua mãe realmente gosta de arranjar muitas coisas pra fazer ao mesmo tempo... E daí, passam-se dias, semanas, meses sem registrar pra você como tem sido seu crescimento. Então, para comemorar essa data mágica que é o aniversário (e acho que você já está entendendo bem o quão mágica esse dia é!), o texto abaixo é uma tentativa de sintetizar nossos dias até aqui. Tentativa, pois sentimentos nunca são perfeitamente expressos em sua amplitude somente com palavras. Mas, vamos lá. Te amo,
Mamãe

Gigi, aos três anos

A menininha de três anos já não é mais um bebê. Isso, logo se nota em seu andar, ágil e charmoso (pois já deu adeus à fralda e também àquele desequilíbrio motor típico).
É também adorável quando quer convencer você de algo. E acompanhar sua linha de raciocínio quando essa pequena garota quer provar a importância vital de ganhar uma determinada boneca requer muita atenção (e um bocado de força para não esboçar uma risada e colocar abaixo toda a sua convicção de que, “não, mais uma boneca não é necessária em meio às outras dezenas que você já tem!”).
Já mostra uma certa vaidade e quer se pintar. Quando se pinta, põe batom na pálpebra, sombra na bochecha e blush na testa. E fica linda. Adora roupa nova e, no seu caso, gosta de repetir o exagero da maquiagem nas presilhas – sempre que vamos sair, teima em colocar umas cinco diferentes na cabeça, todas de uma vez (coisa que eu, habilmente, sem você perceber, vou retirando aos poucos até sairmos de casa).
Se me vê fazer as unhas, corre logo pegar seus dois únicos esmaltes. E me faz passá-los, um em cima do outro (a cor resulta sempre num lilás meio esquisitão). Aliás, de toda a gama de cores existente, adora a mesmice do rosa (ah, meninas!). Às vezes, muito raramente, abre espaço para o roxo e o lilás. E, olha, eu nunca incentivei essa preferência cromática, que isso fique bem claro!
Se faz birra, é dona da razão. Vira uma tirana em questão de segundos. Daí, me chama de malvada e diz que nunca mais será minha amiga. Que não vai mais brincar comigo “nunca mais, nunca mais!”. Para, meia hora depois, me chamar pra brincar de mamãe e filhinha.
Aliás, inverter os papéis é com você mesma. Adora fingir que é minha mamãe e eu sou sua filhinha. Me dá mamadeira, me faz dormir, me leva na escola. E é quando me dá bronca que eu me dou conta do quanto esse tipo de momento é marcante pra você.
Tudo nessa fase é lúdico. Aprender tem que ser lúdico. Se quero que você fixe algo na cabeça, basta que seja algo prazeroso, divertido. Aí é natural. Você vai relatar a lembrança em vários momentos, sempre me surpreendendo.
Quase toda semana, diz pra mim que não quer ir à escola. Instantaneamente, muda de ideia ao chegar e ver os coleguinhas brincando.
Falando em escola, não sei se é de lá que vêm palavras que eu, juro, não tinha no meu escasso vocabulário de três anos. Coisas como “graveto” ao invés de “pauzinho” ou “psicodélico” pra falar das cores de um pirulito. Ok, na verdade, essa última quem ensinou foi sua avó. Que também ensina você a gostar de pirulitos psicodélicos, aqueles com todas as cores do arco-íris  -- e quase todo o açúcar do universo.
Minha menininha de três anos já percebe os sentimentos dos outros. Desconfio que até entenda a gravidade de certas situações. Com os olhinhos cheios de pureza, já me perguntou várias vezes se eu estava triste. Você parece ter um sensor de emoções e tem uma ligação muito forte comigo e com seu pai, que acredita que eu e você sintonizamos, de alguma forma, nossos comportamentos. (Se estou bem, você também está. E vice-versa. Então, é bom eu estar bem sempre!).
Quando sorri, Giovana, é como se você iluminasse um caminho escuro. Passa no olhar toda a pureza, inocência e amor que só seres pequeninos assim carregam consigo. Se gargalha, magicamente contagia quem estiver ao seu redor, seja alguém da família ou até um completo estranho.
Posso perceber quando está muito feliz. Felicidade duradoura é brincar de amarelinha com a mamãe e empinar pipa com o papai. Efêmera é ganhar um brinquedo, abri-lo, explorá-lo para depois deixá-lo num canto. Alegria de verdade é estar com quem ama você – os avós, os tios, os primos, amigos. Passageira é assistir ao desenho preferido na tevê. Isso me faz entender que o melhor de tudo, realmente, não é o que temos, mas o que somos. E somos o conjunto das experiências que partilhamos com aqueles que importam pra gente. Mamãe aprende demais com você, a cada dia.
Meu amor, tudo o que escrevo é inspirado por amor e por um orgulho enorme de você. Lembre-se sempre: amor de pai e mãe é indelével e incondicional. Sei que terei orgulho de você em todas as idades.

Feliz aniversário, minha pequena,

Mamãe

Sua festinha de aniversário na escolinha - olha a Dora, Aventureira lá atrás, Gi!



domingo, 14 de abril de 2013

A primeira noite fora de casa

Filha,
ontem foi um dia, aliás, uma noite especial. Fomos a um casamento e resolvemos deixá-la na casa da sua avó Ana. Eu confesso que fiquei com medo de você chorar demais, de dar alguma coisa errado. Afinal, faz praticamente dois anos que você está presente em nossas vidas (se contar o tempo na barriga, mais ainda!) e eu e o seu pai já não sabemos mais como é não dormir com você no quartinho ao lado, não sabemos mais como é andar na ponta do pé pra você não acordar.
Bem, lá fomos nós, arrumados e corajosos, para o casamento (que foi muito lindo e gostoso, por sinal). Na volta, plena madrugada, virei para o seu pai:

- Amor, vamos pegar a nenê? Tá cedo, daí a gente não tem que acordar cedinho amanhã pra buscar... (com esperança de ele embarcar na minha e pegarmos você antes do combinado!)
- Imagina, amor, tá tudo bem. Vamos embora. (simples assim - e eu pensando: nossa, mas ela é só uma bebê, já vai dormir longe de casa?)

O que aconteceu é que chegamos em casa, eu tirei maquiagem, vestido, sapato, dei uma organizada na baguncinha típica de quem sai meio atrasado pra ir a um casamento, e fui tomar banho (é, filha, ao ler este post, provavelmente, vc já vai saber que garotas têm que tirar todo o penteado feito no salão, porque é impossível deitar a cabeça e dormir, por mais cansada que você esteja). Tudo isso, pensando em você. Pensando que o tempo voa mesmo, que ainda ontem você era um bebezinho recém-nascido e eu uma mamãe de primeira viagem descobrindo o que é ser mãe.
No dia seguinte (hoje) acordei às 7h50 e lembrei seu pai de ir pegar você. Fomos. Pra minha surpresa, sua vó me disse que você dormiu a noite inteira (tudo bem, pegou no sono um pouquinho mais tarde, às 23h), e acordou às 7h30. Uma mocinha praticamente. Antes de dormir, perguntou pra vó sobre os barulhos da casa, sobre onde estávamos, fechou os olhinhos pra depois abrir e dizer daquele jeito que só você sabe fazer: " - já acôdei, vovó!". Até tentando enganar, você é uma fofura só!

Filha, você nos surpreende a cada dia com suas descobertas, com seu temperamento, com suas palavrinhas e frases que mostram o quanto você é especial. Estou muito orgulhosa de você, meu anjinho.
Te amo,
Mamãe

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Adeus, mamadas!

Gigi,
Esta semana eu parei de amamentar você. A decisão veio porque percebemos que você já não tinha mais tanto interesse em mamar no peito e, convenhamos, você foi uma bela bezerrinha e eu, uma vaquinha leitera pra ninguém botar defeito.
Desde o parto, amamentar era o nosso momento. Você, pra matar a fome e a sede. Eu, pra dar carinho, ficar maravilhada com meu novo lugar no mundo - o de mãe - e com a grandiosidade e beleza de Deus. Pois foi Ele quem me abençoou com você e sei que é Ele quem nos guia todos os dias.
Meu amor, nossa história de amamentação teve muuuitas mamadas. No começo, você acordava até duas vezes de madrugada para mamar. E eu amamentava por longos 40 minutos. Daí, fazia você arrotar e deixava você na vertical, no colo, por mais 20 minutos. Fez as contas, bebê? Sim, dá uma hora. Ou seja, nesse comecinho, mamãe ficava um caco e, apesar de amá-la demais da conta, eu não levantava muito feliz na hora em que você chorava, não...
Depois, eram de três em três horas, aproximadamente. Durante a licença-maternidade, foram muitas mamadas vendo Friends, sessão da tarde e tudo mais que passava na tevê. Daí acabou essa doce fase onde o universo se resumia a mim e você. Mamãe teve que voltar ao trabalho.
Bem, daí, entram as amadas vovós na história. Sua vó Ana preparava você mais ou menos às 16h pra outra vó, a Lucia, buscá-la e levá-la até meu trabalho. Minha mãe enfrentava trânsito e atravessava a cidade, religiosamente, só para que eu pudesse manter a amamentação. Sou eternamente grata a ela por isso (e por todo o resto que, acredite, é muita coisa!).
Aí acabou o período que a lei permite à mãe amamentar o filho no trabalho. Então, você que já estava comendo suas frutinhas e tomando suquinhos, ficou sem uma mamada. Tivemos algumas adaptações - no começo, o leite chegou a empedrar (o que era horrível demais), mas depois deu tudo certo.
Deu tudo tão certo que somente nesta semana você deixou de mamar. Pra gente, a hora da mamada era a hora da cumplicidade, de brincadeira, de contato direto, pele com pele, uma coisa somente nossa. E foi por isso que eu chorei, meu amor, e ainda choro ao escrever esse texto. Você, na verdade, nem sentiu diferença - e nem pediu pelo peito, o que me surpreendeu, me deixou com uma ponta de ciúme, mas que me deixou também segura da decisão que tomei.
Minha linda, sei que você está crescendo e, agora, o universo não é mais só eu e você, como foi por um tempo. Isso é ótimo, na verdade, porque sei que, pra mim, o universo tem muito mais, mas você sempre estará reinando absoluta no centro dele.
Com amor,
Mamãe

 
Mamando gostoso, com uns quatro meses

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Feliz Dia dos Pais, papai!

Se você pudesse, tenho certeza de que falaria assim para o papai:
- "Papai, adoro quando você me faz cócegas... Mas dá pra aparar essa barba?"
- " Papai, sabe por que eu só consigo dormir com você? Porque eu te amo muito!"
- " Papai, por que você tem que ser tão engraçado e narigudo?" (brincadeira!!!)
- "Papai, eu gosto de bola porque você ama futebol e é viciado no Fifa Soccer... Mas vou continuar sendo são-paulina no futuro, ok?"
- "Papai, você é o melhor pai do mundo! Obrigada por existir!"

Amor, feliz dia dos pais. O registro no blog está atrasado, mas fica aqui com carinho.


Andando sozinha!

Filha linda,

você está ficando cada dia mais fofa. Agora, já sabe mostrar onde é sua cabeça, a barriga (e você a-do-ra levantar a blusa e mostrar o barrigão) e os pés. Já reconhece as pessoas mais próximas pelo nome e adora brincar com seus priminhos Rafinha e João Pedro. Adora falar a palavra "bola". E, claro, adora bola!
Amo tanto, mas tanto quando você me chama de mamã... E papai é papá... Muito fofa.
No último dia 17 de julho você aprendeu a andar sozinha. Foi assim: havia mais ou menos dois meses e você já andava apoiada nos móveis ou de mãos dadas com outra pessoa. Mas tinha medo de soltar.
Sua vó Ana fez até uma simpatia pra você perder esse medo. Mas nada de funcionar.
Sua madrinha Cris e sua tia Dri viviam incentivando você a dar seus passinhos sozinha - o que funcionou com a Cris algumas vezes (sabe como é, conexão madrinha-afilhada é muito especial mesmo). Só que o medo voltava e nada de andar sozinha novamente.
Mas foi na tarde em que o João Pedro, seu priminho, resolveu brincar de fazer você pegar uma fralda que tudo aconteceu. De repente, você saiu andando, sem perceber que já não estava apoiada na fralda. Quem viu seus primeiros passos, sozinha, sua descoberta tão grande, foi a tia Cris e o João. Claro que a tia Cris chorou. Depois a vovó chegou (ela tinha ido na farmácia) e chorou também. Elas me ligaram e eu quase chorei de alegria e de vontade de ver você!
Quando te busquei (nesse dia, papai não foi buscá-la porque trabalhou até mais tarde), chorei também. Você parecia ligada no 220V! Estava feliz, nitidamente satisfeita por estar andando sozinha.
Filha, os primeiros passos na vida da gente são muito importantes. Marcam o início de um novo ciclo, o primeiro gostinho de liberdade. Para os pais, então, é um misto de orgulho, de gratidão, de felicidade, tudo junto.
Meus olhos continuam repletos de admiração pura por você. Esse amor é quase uma devoção. Porque através desse amor tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo é mais feliz de ser vivido. E a gente tem certeza de que um amor maior, o de Deus, está por trás de tudo, engendrando o nosso destino e guiando cada passo nosso.
Amo você,
Mamãe

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Feliz aniversário, bebê!

Há um ano, eu era outra pessoa. Completamente diferente. Coisas que, hoje, pra mim não têm mais importância, costumavam tirar meu sono. Ligava para besteiras que, agora, sei que são só besteiras. Era mais fraca, mais impaciente, menos tolerante, mais egoísta, infantil até. E daí você nasceu. A experiência da gravidez é linda, mas só se completa e traz todo o sentido que nela existe quando o bebê nasce.
Nunca vou me esquecer da madrugada do dia 21/6/2011. Da surpresa, das dores, da ansiedade, do medo, das orações, da adrenalina... Da delícia de pegar meu bebezinho pequenino, que carreguei durante tanto tempo no ventre, e perceber que tudo seria diferente dali pra frente. Da maravilha de me sentir importante, de me ver como mãe, de me dar conta da benção divina que tinha em mãos, enrolada num pano cor de mostarda, com os olhinhos fechados e o narizinho mais lindo do universo.
Filha, o tempo voou. Cada segundo e minuto é diferente quando você é mãe. Tem mais medo, fica mais cansada, reza mais, pensa mais no futuro - imediato e a longo prazo. Mas também tem mais alegria, mais felicidade verdadeira, dessas que não cabem em palavras e só são sentidas quando não há nenhum tipo de mágoa, interesse ou revolta no coração. É algo mágico, de verdade.
Agora eu entendo a minha mãe e todas as mães do mundo. Todas as mães do mundo que amam seus filhos. É tão bom fazer parte desse grupo de mulheres que se doa, evolui, e, por que não, até se anula em muitos momentos. Amor é assim, oferecido sem querer nada em troca, a não ser o bem-estar de quem se ama.
Parece tudo lindo assim, um ano depois. Mas houve momentos difíceis. Principalmente logo após seu nascimento. A vida muda demais e, como ser humano, é complicado abandonar hábitos e ter que se acostumar a uma rotina agitada. Acompanhar o ritmo de um bebezinho e cuidar dele - o tempo inteiro - é tarefa, realmente, pra quem ama. Mas, entretanto, hoje me sinto tão feliz de vê-la com suas gracinhas irresistíveis, com suas descobertas, seus primeiros passinhos, primeiros dentinhos... Olhar nos seus olhos e ver pureza, inocência, me faz acreditar no bem, na paz, em tudo o que Deus é capaz de fazer.
Obrigada por ser meu bebezinho querido. Por me ensinar tanto. E por me dar a chance de ensiná-la também. Que Deus abençoe nossas vidas e nos conceda muita saúde, paz, alegria, sempre. Amo você, feliz aniversário,
Mamãe.


sábado, 28 de abril de 2012

Gigi,
neste momento, você dorme gostoso no seu quartinho, depois de um dia cheio de brincadeiras e visita à casa da vovó com papai e mamãe reunidos. Sei que faz bastante tempo que não escrevo pra você, mas é que - como algumas mães já tinham me dito - o tempo voa e projetos fofos, como esse que é escrever pra você ler quando estiver mais velha, acabam ficando pra trás diante do desenvolvimento diário e das transformações que cada fase traz.
Você, por exemplo, me surpreendeu na segunda-feira da semana passada (aliás, não só a mim, mas ao seu papai também) com um "mamãe" completinho. Na hora, meus olhos se encheram de lágrimas e senti uma felicidade tão gostosa que não consigo colocar em palavras. Claro que eu contei pra todo mundo, com aquele orgulho nada secreto que todas as mães têm.
Tudo bem, o "mamãe" não veio de novo, mas sei que os "mamãs" que você fala são pra mim, o que me enche igualmente de orgulho. Com você, meu amorzinho, percebo o quanto as mães são primordiais na nossa vida. Não que não soubesse disso, mas é que vivendo junto com você tudo aquilo que minha mãe provavelmente viveu comigo, acabo por me dar conta de que nós somos mesmo muito importantes, seja na educação, nos hábitos, na garantia de crescimento saudável, enfim, em tudo.
Já li vários textos que dizem que o filho, nesta idade, enxerga o mundo pelos olhos da mãe. Concordo. E sei que, em determinado momento, você vai ver tudo por si própria. Com certeza, irei me surpreender quando isso acontecer, assim como me surpreendo quando você mostra que aprendeu um movimento novo, que já está prestes a andar sem se apoiar nos móveis... Pra mim, que atualmente vivo em segundo plano (no bom sentido, meu anjinho), é estranho me dar conta de que, há dez meses, você precisava de mim pra exatamente tudo. E, agora, está mais independente, mais próxima de uma criança do que de um bebê recém-nascido enroladinho no cobertor.
Hoje levei você pela primeira vez para cortar o cabelo num salão de beleza. Como eu já te disse, você nasceu bem cabeluda, e essa, definitivamente, é sua marca registrada. Claro que, nos primeiros três minutos, você ficou bem quietinha pra a cabeleireira agir. Mas depois... Bem, o que importa é que deu certo e você ficou linda!




Pra mim, você sempre será a mais linda, viu?
ps: Você acordou e chora no quarto, então, depois te escrevo mais.
Amo você,
Mamãe

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O melhor Natal

Gigi...

Quando todo  mundo me dizia que os bebês ficam uma graça aos seis meses, não imaginava que seria tão irresistível assim. Sabe, né, você, menininha, tem várias roupinhas fofas pra eu te emperequetar. E tem ganhado cada coisa linda que é quase impossível não dar um suspiro depois que eu te arrumo. (tá, tá, parei de babar!!!).
Agora queria registrar algo muito legal: este Natal foi o mais completo e lindo da minha vida. Passamos em família, em paz, com saúde, com muito amor. Natal, filha, pode ser confundido com uma data para dar presentes (e sei que você vai ansiar bastante pela data daqui pra frente), mas tem que ser encarado como um presente de Deus, um marco para reflexão, para tentarmos nos tornar melhores, para esperar por coisas melhores.
O nosso foi muito bom. São tantas transformações em mim nesses últimos meses que me sinto no direito de dizer que hoje, após seu nascimento, sou uma pessoa melhor. Mais paciente e menos impulsiva. Mais esperançosa, menos rancorosa, mais a fim de superar obstáculos com os olhos fixos em objetivos do bem, felizes. Mais certa de que a vida é constantemente movimentada por mudanças e que, muitas delas, independem de nossa vontade. Não quer dizer, de jeito nenhum, que ainda não tenha um montão de pontos pra melhorar, mas me sinto mais serena e melhor com a sua chegada.
Obrigada por isso, pequena. E que Deus nos abençoe para que todo Natal seja tão alegre, completo e em paz como foi este.
Beijo da mamãe na bochecha fofinha,
Mamãe

Como foi voltar ao trabalho

Filha querida,
enquanto você tira seu cochilo, aproveito para sentar e escrever algumas palavras. Faz tempo que não te deixo um registro, mas isso não quer dizer que mamãe se esqueceu ou nada de notável aconteceu.
Primeiro, mamãe voltou a trabalhar. Foi duro, principalmente no primeiro dia, quando deixei você com a vó Ana. É uma coisa estranha, mas mesmo sabendo que dali seis horas estaríamos juntas novamente, minha vontade era de não ir trabalhar e ficar com você. Quase um vício, mas um vício muito bom.
Ok, enxuguei as lágrimas dentro do carro mesmo e reiniciei a rotina de antes de você nascer: bater o ponto às 14h, ir até meu computador, ler os notes, tentar colocar em dia o que aconteceu durante os cinco meses anteriores. Claro que no começo fiquei perdida, mas mamãe trabalha entre amigas de verdade que a ajudaram a estar de volta plenamente. E devo confessar: meu pensamento se manteve com você durante boa parte dos primeiros dias de retorno.
Uma coisa muito boa foi poder amamentá-la até o sexto mês. E aí entrou a ajuda da sua superavó Lucia, que, gosto de repetir, mostra que é mãe até mesmo quando eu me tornei mãe. Todos os dias, religiosamente, ela saía do trabalho para pegar você na vó Ana, levar até a editora, esperar eu dar de mamar e trazer você pra casa. E fez tudo com sorriso nos lábios, sabendo que estava contribuindo para sua saúde e nossa felicidade.
Depois que você completou seis meses, fiquei bem apreensiva sobre como seria. Os primeiros dias foram um pouco dolorosos porque o peito enchia demais e estávamos pulando uma mamada. Você, espertinha, pegou mamadeira numa boa (sim, fiquei com ciúme, mas coisa rápida, passou e sei que você precisa disso). Agora essa parte parece estar entrando nos eixos também.
Filha, tenho aprendido que tudo é adaptação quando a gente se torna mãe. Cuidar de você é a melhor parte do meu dia e fico ansiosa pra voltar pra casa do trabalho. Parece que você sente isso e adora quando me vê.
Ultimamente, eu, suas avós, seus avôs, suas tias e o papai temos percebido que você está prestes a sentar sozinha. Já sabe que eu sou "mamãe" e que "papai" é aquele cara barbudo que adora morder sua barriga. Acho que só falta mesmo soltar as palavrinhas pra nos chamar, mas já sabe quando alguém nos chama assim.
Nossos amigos são muito carinhosos com você e todos a acham uma fofurinha. Em todo lugar aonde vamos, perguntam onde cortamos seu cabelo (e foi mamãe quem fez, sem querer, um corte muito fashion).
Meu amor, amo você com todo meu coração,
Mamãe

domingo, 20 de novembro de 2011

Mamãe voltou a trabalhar!

Minha lindona! Já se completou uma semana desde que mamãe voltou a trabalhar. Sim, era preciso, mas, com certeza, se pudesse, não voltaria. Ficaria o tempo todinho com você pra não perder nenhuma gracinha, nenhum sonzinho, nada nada nada que eu tanto amo. Mas tudo bem: como as pessoas dizem, a vida deve continuar e trabalhar faz parte da minha.
A  boa notícia é que você tem ido ao trabalho da mamãe todos os dias para sua mamada da tarde. É uma delícia: meus colegas de trabalho ficam bobos com você, eu te vejo e mato a saudade, você fica alimentada... Maravilha! Pena que é só até você completar seis meses (mas já é alguma coisa, então, não vou ficar aqui reclamando).
O primeiro dia de trabalho da mamãe foi um misto de ansiedade pra rever o pessoal e muito choro: deixei você em lágrimas, numa cena de novela mexicana que eu já sabia que não conseguiria evitar. Você, toda bebê, nem percebeu nada (ainda bem, né?).
Novidades: sob nossos olhos atentos de pai e mãe corujas, você aprendeu a se virar (literalmente) sozinha, o primeiro passo pra começar a engatinhar. Será isso um sinal de que terá personalidade independente? Bem, eu tenho o hábito de achar que cada coisinha que você faz é sinal de alguma coisa...
Outra: você tem se comunicado cada vez mais na sua linguagem de bebê. Está mais expressiva, gritenta (dá cada grito alto) e linda, muuuito linda. E também adora arrancar os cabelos da mamãe (confesso: se fosse um bebê qualquer, mamãe não deixava, mas você eu deixo, vai!).
Filha, mãe é assim mesmo, não estranhe, não: vive em estado de graça, acha tudo uma delícia, se importa com coisas que outras pessoas simplesmente não veem (ou não prestam atenção).
Sigo plenamente em estado de graça e continuo a te dizer: amo muito você!
Beijos da mamãe

domingo, 30 de outubro de 2011

150 dias de transformação e muito amor

Querida Giovana,

faltam só 10 dias para eu voltar a trabalhar. Filha, nós ficamos 140 dias juntinhas até agora. Nos primeiros 30 dias, mamãe não sabia ao certo se ia dar conta de você. É verdade, por mais que pareça estranho falar assim, estou dizendo exatamente o que sentia: medo de não saber, não conseguir ou não ser forte o suficiente para cuidar de você. Depois do parto, a adaptação é mútua: você, pequenina, acostumada a não sentir fome, nem frio, nem sede, de repente precisava chorar para mostrar (ou tentar) o que sentia. Eu, por outro lado, com as primeiras dores da amamentação e sarando, aos poucos, das dores da recuperação do parto. Mamãe, apesar de ter toda a consciência do que viria pela frente, só foi entender o quão difícil é esse momento de adaptação depois de enfrentar privação de sono (nas primeiras semanas, filhota, era rotina você dormir durante o dia e, à noite, acordar às 3h e voltar a dormir às 5h, 6h, 7h...), muito choro (seu e meu), o pavor de não saber o que fazer com suas cólicas, entre outros momentos tão atribulados para uma mamãe de primeira viagem.
Esse tempo passou, como todos com mais experiência me diziam que iria passar. Fui aprendendo a cuidar de você com mais tranquilidade, e, olhe só, aos poucos, voltei a cuidar de mim também. (As primeiras semanas, meu amor, são exclusivamente do neném e, por conta disso, não foi uma ou duas vezes que mamãe ia almoçar só às 14h ou 15h, ou não penteava o cabelo o dia todo, o que dizer então de fazer as unhas...).
Seu pai foi essencial para todo esse começo. Carinhoso e apoiador, sempre preocupado conosco, nos ajudou muito (e continua ajudando, ainda bem!). Suas avós, Lucia e Ana, também foram especialmente necessárias cuidando não só de você como também de mim. Serei eternamente grata a elas por isso.
Bem, o tempo passou muito rápido. Você engordou a olhos vistos, continua com os cabelos mais lindos do universo dos bebês, agora sorri, balbucia sílabas e sonzinhos fofinhos, chama atenção por toda parte que vai. Quando me enxerga, estampa no rostinho que quer meu colo e que está feliz em me ver.
Se algo a incomoda e estou por perto, parece tentar me dizer com o olhar o que está sentindo. Você já tem noção dos horários e da sua rotina do dia e uma das horas mais esperadas é quando seu papai chega do trabalho para brincar com você. As cenas que eu vejo todos os dias são as mais bonitas que já vi na minha vida.
Mamãe tem chorado bastante quando pensa que daqui 10 dias terá que voltar a trabalhar. O choro vem fácil porque você tomou conta da minha existência de uma maneira tão linda, tão pura e tão forte que por mais que pareça bobagem, ficar longe por algumas horas se tornou muito difícil de suportar. Saudade do seu rostinho, de amamentar, de abraçar e brincar, cuidar, enfim, de passar tardes gostosas do seu lado. Realmente, sob meu ponto de vista, me tornar mãe é a maior dádiva que Deus poderia ter colocado em minha vida. Me fez crescer, ser mais humana, mais flexível, menos mesquinha, mais esperançosa.
É, minha pequena, vai ser muito difícil pra mim. Mas é necessário. Será uma nova etapa de adaptação, tanto para mim quanto para você. Preciso disso para crescer ainda mais. Para manter em mim uma parte muito importante e que ainda não está pronta para se despedir. Então, meu amor, que Deus nos abençoe nessa nova fase que virá e coloque em nossas vidas ainda mais bençãos nos dias que estão por vir.
Amo você, com todo meu coração e minha alma,
Mamãe

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Você foi muito boazinha!

Sabia que, quando me descobri grávida, eu estava fazendo o curso de Mestrado? Pois é, lembro bem da aula inaugural da pós, quando o coordenador, do alto de seu rigor acadêmico, avisou: "Precisamos respeitar o prazo máximo de defesa em dois anos e meio. Portanto, nada de ficar doente. Engravidar, então, nem pensar".
Ok, como a vida não segue os ditames da Academia... A notícia da gravidez veio com surpresa e muita expectativa para mim. E aí, a primeira coisa que eu pensei foi: "não vou conseguir terminar esse Mestrado". Porque, pra início de conversa, não tinha escrito nem uma linha da dissertação e tinha, então, mais meio ano pra fazer tudo, além de preparar tudo (e de me preparar) para sua chegada.
Bem, a barriga foi crescendo, mamãe montou seu quartinho, seu enxoval, continuou trabalhando e, quem diria, escrevendo! Durante toda a fase de redigir a dissertação você esteve lá, presente, constantemente dando sinais de que crescia (e ocupava todos os espacinhos no interior do meu ventre).
Daí, mamãe defendeu a qualificação exatamente uma semana antes de você nascer, exibindo uma barriga redondona diante dos olhos um tanto temerosos da banca exclusivamente masculina.
E, para meu alívio (e liberdade!!!), faz três dias que consegui defender a dissertação (com você lá, inclusive, docemente levada pelas avós paterna e materna). Foi um momento muito importante para mim e ainda mais feliz pelo fato de você estar lá comigo, querida.
Então, muito obrigada, minha menininha, por ter nascido no tempo certo e ter me deixado continuar uma trajetória que necessitava ser finalizada.
Te conto tudo isso aqui porque não quero me esquecer do quanto foi difícil, mas recompensante encarar tudo de uma vez. E a memória é bichinho traiçoeiro: costuma falhar nos detalhes e deixar tudo com cara de mesmice (e pra gente, meu benzinho, não foi mesmo, não é?!).
Te amo,
Mamãe

Na defesa da dissertação de mestrado: prof. Adenil, prof. Mauro, vovó Ana, eu e você, vovó Lucia e prof. José Eugenio

Por mais noites de sono e menos complicações

Filha, viver é uma experiência fácil, linda, única e inigualável. Vejo isso nos seus olhinhos que descobrem, brilhantes, o mundo ao seu redor. Para um bebê, as preocupações só acontecem se algo os incomoda - é fome que sentem? Logo mamãe vem alimentar. É frio, dor ou fralda suja? Logo alguém que lhe quer bem vem agir em seu favor.
Talvez seja por não pensar nos problemas inventados pelo crescimento e "amadurecimento", pelos limites,deveres e regras impostos pela vida em sociedade, ou pelo fato de estarem alheios às necessidades e urgências mundanas, os bebezinhos têm um sono tão tranquilo e invejável. Coisa de anjo mesmo.
Depois que se cresce, Gigi, é preciso lidar com os dilemas que nos aparecem. Eles começam tímidos, quase que inofensivos na ocasião de aprender a fazer escolhas. Depois, vão se tornando mais complexos, capazes de acabar com as noites de sono feliz de outrora. À medida que se cresce, meu amor, a vida parece se complicar. É um relacionamento que não dá certo, outro que mostra sua cara cheia de riso mas, não se engane, uma hora também ficará evidente que há tristeza e dureza até mesmo onde não se imaginava haver qualquer tipo de mácula.
Tudo isso, dizem os grandes (e também o senso comum) é fermento que nos faz crescer. A dor, muitas vezes evitável, mas também inevitável em certas ocasiões, é como um contraponto em nossa história de vida: ensina, como que avisando para que, no futuro, não sejam repetidos os mesmos erros e não se sofra novamente como num filme repetido de sessão da tarde.
Bebê, bebê... Ao contrário do que possa parecer, viver é, sim, fácil. Basta lembrar, diante de uma dificuldade que nos aparece como um touro teimoso e bufante, que orgulho não leva a lugar algum. Que o tempo passa rápido, que a vida é curta e também passa num sopro. É o que dizem os grandes (e o senso comum) e que não deixa de ser uma bela verdade.
Amo você, com todo meu coração,
Mamãe.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mas já???

Filhota, você ainda é tão pequenininha e, daqui a pouco, vai ter que aprender a ficar sem a mamãe quando eu voltar a trabalhar. Acho que, na verdade, eu é que vou ter que aceitar o fato de que licença maternidade um dia acaba e, em breve, nossas tardes juntinhas vão ficar para trás.
Pensa que eu já não estou cheia de culpa e de saudade? Se eu deixo você na casa das avós por duas horas pra fazer alguma coisa já fico com saudade... Nossa, nunca pensei que seria uma mamãe tão babona quanto sou hoje. Mas também sei que é muito importante "voltar" à rotina, assim mamãe não perde uma boa parte de sua identidade e também será bom para o seu desenvolvimento, afinal, apesar de querermos, a vida vai muito além do ninho confortável da mamãe e do bebê, não é?
Lindinha, desde a última vez que escrevi pra você se passaram muitas coisas entre nós. Você, por exemplo, aprendeu a agarrar as coisinhas com a mão. É a coisa mais linda do mundo!!! Aprendeu também a bater o pezinho na água, na hora do banho, e faz a mamãe tomar banho junto, claro.
Seu papai tomou coragem pra dar banho em você no chuveiro. Eu morri de medo na primeira vez, mas ele fez tão bem e você adora tanto, fica com uma carinha de sapeca tão fofa que eu me rendi. Com esse calorão todo, tomar banho de chuveiro é ainda mais divertido pra você.
Outra coisa que tem enchido mamãe e papai de orgulho são as sílabas que você balbucia vez ou outra. Nós, com cara de bobos, ficamos imitando (e quem vê, de fora, deve achar ainda mais bobo, mas pra gente é o maior barato!).
Muitas pessoas queridas vieram fazer uma visitinha pra você também, inclusive outros bebezinhos. Mamãe já está levando você sozinha à pediatra e continua chorando junto (na verdade, engolindo o choro pra você não notar) na hora de tomar vacina.
Mas uma coisa mudou do último mês pra cá: meu amor cresceu feito bolo de vovó no forno - está cada vez maior, mais lindo, mais forte. Também, com esse seu sorriso lindo, é impossível que ele não cresça ainda mais. Amo você, pequena.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ninguém me avisou...

... o quanto eu ficaria com o coração despedaçado na hora de você tomar vacina. Sério, filha, mamãe teve que segurar o choro quando a enfermeira pediu pra eu te segurar (como assim, segurar um bebezinho indefeso? não parece estranho?!?) e você, toda pequenina, toda inocente, me olhando com seus olhinhos de boneca, nem sabia a dorzinha que estava por vir.
É... Veio o choro, mas parece que doeu mais em mim do que em você. Pra minha surpresa, você chorou, sim senhorita, mas foi rápido e logo voltou a procurar novidades com os olhinhos. Eu, no entanto, senti pela primeira vez que vou precisar ser forte pra amparar, cuidar, ensinar, ajudar a suportar todos momentos difíceis, porque eles existem, né? Tá, parece besteira, foram só duas picadinhas (uma em cada perninha fofa, que dó!!!), mas para mim, sua mamãe, doeu vê-la passando dor.
Sim, porque nessa sua fase, não dá pra ter certeza absoluta de quando é dor ou fome ou qualquer outra coisa que provoque o seu choro. Então, quando eu tive a certeza de quem já sentiu a mesma coisa na pele - afinal, ninguém ama injeção - de que você estava sentido dorzinha... Mesmo sabendo que é para o seu bem, meu coração ficou em caquinhos.
Mas, graças a Deus, você está uma belezinha agora. E é bom eu ir me acostumando: mês que vem tem mais, e depois no outro, e no outro, e assim sucessivamente.
Te amo, viu, minha bonequinha.

p.s.: Final de semana passado eu e seu papai fizemos uma traquinagem: fomos ao cinema :)
Tudo bem que o filme foi fraquíssimo (só pra registrar, já que quando você ler isso o filme será supervelho, foi "Professora Sem Classe"), mas o mais engraçado foi eu ficar olhando todas as crianças do shopping e imaginar como você ficará daqui a uns aninhos. Daí, vou ter o prazer de te apresentar a vários filmes infantis legais. Um dos que eu mais amo (e você já curte as musiquinhas) é o George, o Curioso. E eu adoro essa canção do Jack Johnson, aliás, o álbum inteiro, que tem letras lindas e melodias deliciosas.



"I'll share this love I find with everyone..."

sábado, 13 de agosto de 2011

Pai, você é tão especial!


Uma das lembranças mais nítidas da presença do meu pai em minha vida foi quando ele me ensinou a andar de bicicleta. Primeiro, na verdade, eu tive que torcer pra ganhar "a" bicicleta - uma Monark rosa, dessas que vinham com uma cestinha na frente, aro 20, ideal para uma garota de 11 anos com vontade de sentir a brisa no rosto e a velocidade sob as pedaladas, mesmo que para isso precisasse sofrer alguns tombos e arranhões.
Muitos curativos nos joelhos depois, finalmente estava começando a me equilibrar em duas rodas. Lembro que dizia ao meu pai, com o coração na boca: "não me solta, não me solta agora, não estou pronta". E ele concordava em não soltar. Até o momento em que ele, com sua sábia simplicidade, deixou de amparar a bicicleta com as mãos e eu, sem perceber que andava sozinha, senti um misto de medo e emoção ao me dar conta de estar finalmente andando de bicicleta.
Verdadeiros pais, de qualquer espécie, possuem essa simplicidade inteligente, que une o ato de ensinar, amparar, entender e amar à difícil arte de tornar seus filhotes independentes, quando estes estiverem realmente prontos. É assim com o passarinho, com o leão, com o golfinho e com tantos outros animais e é por conta disso que pais são tão essenciais em nossas vidas.
O seu, minha filhota, tem se saído um papai realmente incrível. Claro que todos - o seu, o meu, o de todo mundo - comete erros às vezes, mas é o fato de saber que se pode contar com eles, em qualquer momento, durante a vida toda (e, porque não, depois dela também) que os torna tão especiais para que nos transformemos em seres humanos fortes, amorosos, batalhadores, melhores.
Adoro quando seu papai olha você com doçura e amor. Adoro quando, mesmo cansado, tem paciência para tentar fazê-la se acalmar. Adoro todas as vezes em que ele me apoia, me ajuda, me anima.
Ao meu papai (seu vovô), ao seu papai (meu amor) e ao papai do seu papai (seu outro vovô), três pessoas impressionamente lindas em suas imperfeições e perfeições, desejo um dia dos pais maravilhoso. E a todos os outros, que amam seus filhos incondicionalmente, também. Que Deus abençoe essas figuras queridas tão fundamentais em nossas vidas.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Seu primeiro passeio!

Domingo passado, dia 7/8/11, passeamos pela primeira vez com você, pequena. A pediatra liberou passeios ao ar livre, longe de aglomerações, e lá fomos nós, aproveitando que a temperatura esquentou e o sol deu as caras.
Que coisa mais gostosa! Você, como quase sempre, adormeceu assim que o carro começou a andar (nenês adoram andar de carro, deve ser por isso que tem muito pai que dá uma volta no quarteirão para o filho pegar no sono na hora de botá-los pra dormir - já pensou que dificuldade depois que eles se acostumam a isso???).
Tudo bem que você não viu nada do passeio, já que dormiu feito Bela Adormecida também na caminhadinha que fizemos ao redor do lago, sem se importar com barulho de pato, criança jogando bola, entre outros ruídos ao seu redor. Aliás, filhota, acho que já devo ir preparando o seu pai (que tem tudo pra ser bem ciumento) que você vai ser da balada. Nunca vi um bebezinho gostar tanto de barulho...


Acorda, Gigi!!!


PS: Gostosa da mamãe, hoje você deu uma risadona quando eu mordi sua perninha de brincadeira. Agora já sabe, né, mamãe não vai mais passar vontade e vai mordê-la sempre!!!! S2

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paciência + carinho = bebê feliz

Todos os dias eu faço a mesma coisa e, ao mesmo tempo, todos os dias são diferentes pra mim com a sua chegada, minha menininha. É que todo dia tem fralda pra trocar, mamada, fazer arrotar, acalmar de coliquinha, fazer nanar, dar banho... Mas isso não significa que cada acontecimento ocorra da mesma forma, no mesmo horário, ou seja, é sempre diferente.
Tem dia, por exemplo, em que você me surpreende com um cocozinho no meio do banho (e eu caio na risada de ver sua carinha!). Ou então, quando está irritada, me coloca numa verdadeira maratona: você vai saber do que estou falando quando tiver, um dia, que trocar a fralda de um nenezinho faminto que bate desesperadamente as perninhas... nessa hora, quando tudo finalmente parece estar sob controle, um jato de xixi faz sua mãe recomeçar todo o processo, com o agravante de ter que trocar toda a sua roupinha. Ufa!
Há dias em que a tranquilidade reina: você acorda, mama, faz gracejos, olha o mundo ao seu redor com curiosidade e volta a dormir. Nesses (raros) dias, sua mamãe aproveita pra colocar algumas coisas em ordem, na medida do possível.
Mas filhota, isso não quer dizer, de jeito algum, que um dia é mais feliz do que o outro apenas com base no trabalho que se tem. Bebezinhos dão mesmo trabalho: estão aprendendo a viver essa realidade doida, onde tem frio, fome, sede, dor, soninho... Até esses dias, você tinha um cordão umbilical pra brincar, um ambiente quentinho e seguro que lhe oferecia alimento e aconchego. E eu, uma barriga muito querida que vivia acariciando.
Mas, meu amor, confesso uma coisa: é muito mais gostoso acariciar você aqui. Um dos momentos mais doces, pra mim, é buscar você no bercinho, assim que acorda. E todos os meus dias são bem diferentes do que foram antes, mas muito mais felizes :)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

São tantas emoções...

Bebê! Neste exato momento em que escrevo esta carta, você está pendurada em mim, no seu canguruzinho. Aliás, esse negócio é uma benção pra deixar meus braços livres e, ao mesmo tempo, manter você mais calminha e na vertical (ou seja, é bom também pra quando você acaba de mamar e precisa arrotar). Mas, confesso, tem também o som do secador aqui no lap enquanto escrevo, já que você não estava tão a fim de ficar quietinha, não... Jogo sujo, né???
Pensando nessa coisa de "jogo sujo" (ninar você no canguru ao invés de ser no colinho), fiquei aqui ponderando quantas vezes já me senti culpada depois que você nasceu. Muitas. Aliás, começou antes mesmo de você nascer - na gravidez, se comia algo mais trash, vinha o sentimento de culpa (e olha que sua mãe foi toda regrada e tal). Se faltava na aula de hidroginástica, culpa. Se ia trabalhar e me estressava à toa, culpa.
Agora, então, fico me culpando se você chora e eu não sei o que é, se você chora e eu descubro depois que era uma coisa que eu ignorei, se você chora e vai no colo de outra pessoa e para de chorar... Ai... mãe deve sentir culpa assim mesmo, o tempo todo. Acho, na verdade, que comigo a coisa pega porque sou meio perfeccionista e, quando se trata de você, meu amor maior, tudo é elevado ao cubo.
Uma das cenas do cinema que mais me emocionam é do filme Ray, que conta a trajetória do músico Ray Charles. Ele cego, desde pequenino, precisa aprender a se virar e é exatamente sua mãe quem o ensina a conseguir lutar por si mesmo, sem ter pena de si e nem ter que ficar esperando a piedade dos outros. A cena em que Ray, ainda garotinho, cai diante da mãe e choraminga, esperando que ela tenha dó dele e o acuda, tira lágrimas de mim só de lembrar - a mãe do músico, apesar de ter o coração dilacerado pelo problema do filho, sabe que ele precisa aprender a se levantar sozinho e, assim, prende a respiração e faz silêncio para que ele acredite que está sozinho. Então, o garoto levanta por si só e começa a descobrir os sons ao seu redor, o que foi essencial para que ele alcançasse a superação.
Filha, mãe tem dessas. Se sente culpada e, de repente, tudo se apaga se o filho sorri. Se sente cansada, mas sempre está lá quando a criança precisa, 25h por dia. Se preocupa o tempo todo, reza o tempo todo, acredita em Deus mais do que nunca, se emociona com tudo, com todos, mas, principalmente, com seu filho.
Amo você, criança. Agora, deixa eu parar por aqui porque já estou me sentindo culpada de não te dar toda a atenção que você merece ;).

Amor de mãe é tudo que há de melhor